segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sobre a escrita


No nosso quotidiano fazemos, muitas das vezes sem nos darmos conta, um mau uso da linguagem falada ou escrita. Adquirimos vícios linguísticos que, frequentemente, comprometem a clareza e o significado da mensagem que pretendemos transmitir aos nossos interlocutores.
Foi sobre esta temática que incidiu a aula de PMI do passado dia 2 de Março.
A importância da palavra certa foi um dos aspectos ao qual foi dado mais ênfase: é sem dúvida um ponto fundamental para a eficácia na comunicação. Existem várias formas de transmitir a mesma ideia, mas a dificuldade não está apenas em escolher as palavras certas e que soam melhor, está também em conjugá-las de forma a criar uma mensagem clara e inequívoca.
Um aspecto muito importante na concepção de um texto, especialmente no texto argumentativo, são os elementos estruturantes designados por Ethos, Logos e Pathos.

O ethos prende-se com o carácter, com a sua capacidade para transmitir correctamente a mensagem.

O logos está relacionado com a coerência do discurso, com o poder de argumentação do autor e a sua capacidade de compor um discurso articulado e com lógica.

Por fim, o pathos define-se pelo caminho que o comunicador escolhe para transmitir a sua ideia e a quem se dirige.

A presença destes três elementos estruturantes é fundamental para o sucesso da comunicação.

Neste âmbito, foi proposta aos alunos de PMI a leitura do texto de George Orwell, "Politics and the English Language", escrito pelo jornalista e autor britânico em 1940.
Abaixo transcrevo o resumo por mim realizado no âmbito da leitura deste texto de Orwell:

"RESUMO DO TEXTO DE GEORGE ORWELL "POLITICS AND THE ENGLISH LANGUAGE (1940)

George Orwell foi um famoso jornalista e escritor que viveu na primeira metade do século XX. Da sua vasta obra, destacam-se os livros “1984” e “O Triunfo dos Porcos”.
Neste texto George Orwell expõe-nos as suas perspectivas no que diz respeito ao uso da língua Inglesa contemporânea.
Segundo o autor, o estado de decadência do Inglês falado e escrito tem vindo a acompanhar uma decadência civilizacional, nomeadamente ao nível dos quadrantes político e económico; Orwell acredita que essa tendência pode ser travada se for feito um exercício de reflexão sobre a relação causa-efeito entre essa degeneração civilizacional e o uso inadequado da língua Inglesa.
É em tudo relevante referir que Orwell identifica nesta relação uma inversão de papéis na qual a causa (decadência civilizacional) pode ser também efeito, se visto da perspectiva oposta. Com isto o autor pretende afirmar que, quando usada correctamente, a língua Inglesa permite a um indivíduo raciocinar mais claramente, e ao fazê-lo estará a caminhar no sentido da regeneração civilizacional. Pode, por outro lado, ser a decadência civilizacional a originar o conjunto de ideias deturpadas e mal transmitidas que muitos dos escritores contemporâneos apresentam.
A título de exemplo, Orwell enumera os vícios linguísticos mais frequentemente encontrados no Inglês escrito. Apresenta-nos, desse modo, cinco textos dos mais diversos géneros literários que na sua opinião são exemplos flagrantes do uso incorrecto das ferramentas linguísticas de que um comunicador dispõe.
Primeiramente, Owell refere as metáforas mortas como sendo aquelas que se tornam desprovidas de sentido quando usadas repetidamente ao longo do tempo ao ponto de serem distorcidas gramaticalmente e no seu significado.
Outro vício comum, segundo o autor, é a utilização de operadores e de verbos compostos no lugar dos verbos simples, poupando ao comunicador o trabalho de escolher as palavras apropriadas.
O vocabulário pretensioso é outro dos erros comuns apontados por G. Orwell: o uso de linguagem rebuscada dá ao receptor a falsa ideia de que o conteúdo da mensagem é de elevado teor científico, cultural e objectivo. Este tipo de vocabulário é comummente utilizado nos discursos políticos e o comunicador recorre muitas vezes ao uso de estrangeirismos.
Por último, G. Orwell faz referência ao que designa de palavras vagas. Este alerta-nos, nomeadamente em críticas literárias ou de arte, para uma total ausência de significado em determinadas passagens que advém do uso de termos abstractos; outro aspecto negativo do uso de vocabulário vago é o facto de o autor ter a sua definição pessoal de um determinado termo, transmitindo ao receptor uma ideia enganosa, na medida em que este possivelmente terá uma definição que difere da do autor.
Com esta exposição, G. Orwell pertende por isso alertar para a importância da clareza e precisão no Inglês falado e escrito, sem que a criatividade seja descurada, como aspectos fundamentais de uma comunicação eficaz."

Com este resumo, torna-se evidente a importância que George Orwell atribui ao correcto uso da linguagem como veículo fundamental para a regeneração civilizacional.

Todos os dias - nos meios de comunicação - somos confrontados com exemplos de textos de conteúdo pobre e incompleto, cujas mensagens são deturpadas através do uso incorrecto dos diversos elementos gramaticais e de sintaxe.
São os bons exemplos que devem ser seguidos e promovidos, para que aos poucos, e como George Orwell afirmava, possa dar-se aos poucos a regeneração de valores e princípios que devem reger qualquer civilização.

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