segunda-feira, 31 de Maio de 2010

REFLEXÃO FINAL SOBRE A DISCIPLINA DE PMI


"FOLLOW EFFECTIVE ACTION WITH QUIET REFLECTION. FROM THE QUIET REFLECTION WILL COME EVEN MORE EFFECTIVE ACTION.", PETER DRUCKER

Antes de desenvolver a minha reflexão, nao podia deixar de transcrever uma frase que me parece de todo adequada ao propósito da disciplina de PMI. A frase é da autoria do "pai" da Gestão, Peter Drucker (1909-2005), e sugere que a reflexão precede e antecede a acção eficaz, a acção que produz resultados visíveis e vantajosos.
Ora, um dos objectivos principais da disciplina de PMI foi precisamente o de incutir nos alunos hábitos de planeamento e gestão do tempo, e o desenvolvimento da capacidade crítica e sobretudo auto-crítica. Qualquer exercício de auto-crítica carece de reflexão. E a reflexão de tempo. O tempo é limitado, e é por muitos gestores considerado um dos bens mais preciosos na gestão, na economia, nas tarefas do quotidiano, na sociedade.
Esta aprendizagem de como gerir o tempo foi uma das principais actividades promovidas pelos docentes de PMI, através da realização, por parte dos alunos, dos Planos Semestrais de Trabalho. A organização e planeamento das tarefas antecipadamente é um trunfo na vida profissional de qualquer gestor ou economista, mas deve começar por sê-lo na vida do futuro gestor, enquanto estudante.
O comentário que vou fazer de seguida poderá não abonar muito a meu favor, mas de facto, ao longo do semestre e após algumas tentativas falhadas e outras bem sucedidas, não consegui adaptar-me completamente a este método de gestão das tarefas diárias, apesar de me ter sido bastante útil como ferramenta à qual recorri sempre que precisava de me certificar das tarefas mais importantes que tinha agendadas para uma dada semana. Não consegui, no entanto, cumprir rigorosamente (longe disso) os horários e todas as tarefas a que me propus. Cheguei à conclusão de que ainda desperdiço muito do meu tempo com coisas inúteis; acima de tudo senti falta de motivação para cumprir o plano, que era por sinal perfeitamente exequível.
Apesar dos aspectos negativos, consegui cumprir alguns dos objectivos a que me propus nalgumas semanas. Sistematizei algumas tarefas diárias, reservando horas específicas para a elaboração das TAC semanais de PMI, e para a realização de trabalhos de casa de outras disciplinas.
Considero que, estando a duas semanas dos exames, teria sido de todo o interesse ter tirado o máximo proveito do plano semestral de trabalho enquanto ferramenta de suporte ao planeamento do estudo e de sistematização do mesmo.
Porém, e no cômputo geral, considero-me satisfeita por ter adquirido uma maior consciência da importância da gestão do tempo e do planeamento das minhas actividades diárias como factores redutores de stress, por assim dizer.
A velha máxima "não deixes para amanhã o que podes fazer hoje" aplica-se na perfeição à situação: quantas vezes adiamos problemas e assuntos para o dia seguinte, que acabam por se prolongar e ficar esquecidos na nossa "agenda cerebral". Quando nos damos conta já passou o prazo, já não se justifica, já alguém ocupou o lugar, já saimos, no fundo, a perder...não há nada como fazer hoje o que se pode fazer hoje. E esse foi o principal ensinamento que retirei desta disciplina.
Ser-me-á, certamente, útil no meu futuro não apenas profissional mas enquanto estudante nas próximas disciplinas.
Não posso dar como encerrado este portfólio sem, por fim mas não por último agradecer aos docentes de PMI e à equipa do PIC por toda a ajuda disponibilizada e pelo empenho em fazer desta disciplina uma mais-valia para o futuro profissional dos alunos de Economia e Gestão da Universidade Católica do Porto.

TEXTO ARGUMENTATIVO


Para aprofundar mais o meu conhecimento nesta matéria, li atentamente o texto disponibilizado pelos docentes de PMI no blackboard acerca do texto argumentativo.

http://learning.porto.ucp.pt/webapps/portal/frameset.jsp?tab_group=courses&url=/webapps/blackboard/execute/content/file%3Fcmd%3Dview%26content_id%3D_62219_1%26course_id%3D_5754_1%26framesetWrapped%3Dtrue

Achei o texto bastante elucidativo pelo que julguei ser desnecessário fazer o meu próprio resumo acerca da matéria.

No TAC semanal foi pedido aos alunos que realizassem as duas actividades que se seguem:

1) Leitura do texto de Steve Johson, Tudo O Que Faz Mal Faz Bem e identificação do género argumentativo (judicial, deliberativo ou epidíctico) em que se insere o mesmo.

2) Observação da imagem "Made in Indonesia" e conversão da argumentação implícita na imagem em linguagem verbal, utilizando pelo menos dois ou três tipos de argumentos (com base em exemplos, por analogia, de autoridade, sobre causas, e dedutivos).



O MEU TAC SOBRE O TEXTO ARGUMENTATIVO

1) O género argumentativo no qual se insere o texto de Steve Johson é claramente o género epidíctico sendo que o autor pretende, com ele, louvar e honrar os videojogos, exaltando a sua capacidade de incutir nos jogadores poder de decisão que, segundo o autor, é uma competência fundamental na vida em sociedade e que faz parte do nosso quotidiano.
A referência temporal primária é o presente, tempo verbal que está bem patente em todo o texto, pelo que não há margem para duvidas quanto ao género argumentativo adoptado pelo autor.

2) Esta imagem alerta para um facto que é por todos conhecido mas que muitos, nomeadamente as grandes multinacionais, preferem ignorar ou dissimular: a existência de mão-de-obra infantil na Indonésia.
Segundo fontes da ONU, há cerca de 8 milhões de menores com menos de 16 anos a trabalhar para ganhar sustento na Indonésia.
Há, de facto uma explicação para isto: a Indonésia é um país pobre, com níveis de miséria altíssimos. Desde cedo os pais obrigam os seus ainda jovens filhos a trabalharem para obterem sustento para a família; outras vezes são eles mesmos que procuram esses trabalhos.
As elevadas taxas de natalidade nos países asiáticos em vias de desenvolvimento podem ser outra das razões que levam estas crianças a serem exploradas desta maneira: as famílias numerosas destes países vivem muitas vezes em condições sub-humanas (fome, falta de água potável, casas em condições deploráveis, quando as têm pois muitas vezes vivem em barracos improvisados...). Isto leva a que os numerosos filhos tenham que trabalhar e sujeitar-se a ser explorados por patrões austeros para garantirem o sustento da família.
Esta correlação entre as elevadas taxas de natalidade e as igualmente elevadas taxas de trabalho infantil nestes países é evidente: basta vermos os noticiários, ler um artigo ou ver um documentário sobre trabalho infantil ou simplesmente relembrarmos as nossas aulas de geografia do 9º ano.
Esta situação é obviamente reprovada por muitos, mas vantajosa para demasiados para que seja tomada alguma medida no combate a este drama.
Os interesses político-económicos que assentam na mão-de-obra barata e até gratuíta proporcionada pelo trabalho infantil são demasiado poderosos para que algo seja feito no sentido da extinção deste tipo de exploração cruel, ilegal e inaceitável nos nossos dias.

COERÊNCIA E COESÃO

Coesão e coerência são dois termos que estao relacionados um com o outro: o primeiro designa o modo como as palavras se ligam entre si através dos elementos gramaticais; o segundo relaciona-se com a ligação lógica que é estabelecida entre as palavras e os elementos gramaticais por forma a ser criada uma frase com sentido.
Percebe-se deste modo a interdependência entre estes dois termos: um texto com problemas de coesão terá, provavelmente, problemas de coerência.

A actividade proposta aos alunos no âmbito desta temática consiste na análise macro e microestrutural da coerência e coesão de textos retirados de um relatório de sustentabilidade da Charmartin, uma empresa do sector imobilário.

De uma forma bastante resumida, a análise macro-estrutural diz respeito à coerência e a análise micro-estrutural à coesão. Isto tem toda a lógica se pensarmos, como já foi referido acima, que um texto com falhas na coesão terá à partida problemas de coerência. Por outras palavras, a coesão é a base ou estrutura interna da "estrutura" maior que é a coerência.


O MEU TAC DE COERÊNCIA E COESÃO

Verifique as regras de coerência nos seguintes textos:

a) Análise macro-estrutural
1) genérica (páginas 41-45 do relatório)
2) detalhada (página 23)

b) Análise micro-estrutural (página 23)



Análise macro-estrutural genérica

O texto é coerente, isto é, tem uma estrutura lógica (macro-estrutura) bem definida.

Análise macro-estrutural detalhada

Análise micro-estrutural


"O código integra
ainda um conjunto de direitos e
obrigações que devem ser seguidas
pelos colaboradores, ao abrigo da
conduta ética que lhes é exigida.
O código apresenta ainda os
princípios que estruturam a relação
da empresa com a comunidade,
concorrentes, entidades
financeiras, fornecedores,
media, entidades governamentais(...)"

Neste execerto verifica-se uma falha na coesão: duas frases seguidas que começam da mesma forma. Este tipo de repetição deve ser evitado pois além de ser desnecessário não soa bem. A articulação entre duas frases deve ser feita de modo a que, se a segunda der continuidade à primeira, o substantivo (neste caso "código") seja substituido por um pronome, para evitar a repetição do mesmo.


COMENTÁRIOS

De todas as actividades (TAC) propostas em PMI, esta foi a menos cativante sob o meu ponto de vista.
Não conseguir perceber com exactidão aquilo que era pretendido e tive bastantes dificuldades em sintetizar a informação que encontrei acerca de coerência e coesão, e também sobre análise estrutural de textos.

Fiquei no entanto, com a ideia de que a coerência de um texto se relaciona com a sua macro-estrutura e a coesão com a micro-estrutuda. Isto serviu de fio-condutor na minha análise dos textos propostos.

Ficou ainda assim muito por aprofundar no campo da coerência e sobretudo da coesão, sendo que esta é como que o conjunto de alicerces sobre os quais se contrói o texto.

NARRATIVA ESCRITA E NARRATIVA FÍLMICA


A narrativa escrita é, como o próprio nome indica, a forma de transmitir uma ideia, de narrar um acontecimento através da escrita; por sua vez, a narrativa fílmica conta-nos uma história essencialmente através de imagens, ou de sequências de imagens (filme) que transmitem ao público uma ideia de forma mais explícita ou, pelo menos, imediata.

A publicidade, sendo constituida essencialmente por imagem, é um meio eficaz de transmissão de uma ideia ao seu público. Esta utiliza elementos que pretendem, na maior parte das vezes, persuadir o público a consumir um determinado produto. No entanto, o texto também é importante ao permitir conferir à imagem uma determinada significância, que de outro modo poderia ser ambígua ou pouco explícita.


São de salientar dois métodos de criação publicitária:

1) Check-lists:

- História da criação do Produto
- Métodos de produção do Produto
- Apresentação/design do produto
- Modo de acção do produto
- Efeito provocado pelo uso do produto


2) Exploração analógica:

Este processo divide-se em duas etapas:

1º Escolhe-se a mensagem principal que se pretende publicitar;

2º Escolhem-se analogias que decorrem dessa mesma característica principal.


O TAC desta semana tinha como objectivo a leitura de dois folhetos publicitários de dois produtos pré-estabelecidos pelos docentes: uma máquina fotográfica instantânea da Polaroid e um fato témico de surf da Rip-Curl.
O trabalho tinha como etapas a escolha de um dos produtos por parte dos alunos, a avaliação do método de criação publicitária que mais se adequa a cada um dos produtos e por fim a realização de um pequeno guião para um anúncio televisivo de um dos dois produtos.


O MEU TAC SOBRE NARRATIVA ESCRITA E NARRATIVA FÍLMICA

INTRODUÇÃO
Ao longo dos anos a publicidade tem vindo a adquirir, através dos meios de comunicação, um poder inquestionável. O boom da publicidade deu-se por volta dos anos 50, altura em que os anúncios televisivos tinham uma influência significativa essencialmente nas donas de casa dos lares americanos da época.
Deparamo-nos diariamente com dezenas, centenas até, de anúncios publicitários na televisão, na rádio, nas ruas e na internet, por todo o mundo, inclusivé nos países menos desenvolvidos onde os hábitos de consumo típicos da sociedade ocidental actual não são tão intensos, mas também existem.
É frequente retermos uma imagem, um jingle, uma frase, um slogan de um anúncio publicitário, muitas das vezes sem nos apercebermos. Esse é o poder subjacente à publicidade que consegue transmitir a sua mensagem eficazmente: o de conseguir com que o público alvo capte e interiorize a sua mensagem, retendo uma memória (que pode ser visual, auditiva, táctil ou até olfactiva) do produto.
São diversos os métodos de abordagem e criação publicitárias. Na aula de PMI sobre Narrativa Escrita e Narrativa Fílmica leccionada pelo Dr. Paulo da Rosária no passado dia 11 de Maio, incidiu-se sobre os métodos checklist e analógico: na primeira existe uma abordagem de enumeração de características/funcionalidade/modo de funcionamento/história da criação/modo de funcionamento do produto; na segunda são utilizadas palavras que estabelecem uma analogia com o produto em causa, a abordagem é feita recorrendo a associações entre palavras e objectos.
Este trabalho tem como objectivo a análise de dois textos publicitários, associados às imagens respectivas dos produtos que pretendem vender.
O objectivo é avaliar qual dos métodos de criação publicitária supracitados (checklist ou analógico) se adequa ao produto e à sua estratégia de comunicação.


1. Escolha um dos produtos (máquina Polaroid 300 ou fato aquático Rip Curl H-Bomb). Leia com atenção as características do produto. Avaliando os métodos de criação em publicidade, pondere sobre qual dos métodos de criação publicitária citados se adequará ao seu produto e à sua estratégia de comunicação.

O produto por mim escolhido foi a máquina fotográfica Polaroid Pic-300.

O método de criação publicitária mais adequado a este produto é o checklist, como se pode constatar pela presença dos vários elementos característicos do método checklist no texto.

2. Para publicitar o produto de sua escolha, escreva um guião para um anúncio televisivo (com a ajuda do programa Celtx).

“Com a nova Polaroid Pic-300 tirar fotos é divertido! Com uma resolução ainda melhor e maior rapidez de impressão, as suas fotos impressas para oferecer à família ou aos amigos estão à distância de um click.
Polaroid - uma máquina para momentos únicos.”

domingo, 30 de Maio de 2010

ESTILÍSTICA E JARGÃO

"A Estilística estuda os processos de manipulação da linguagem que permitem a quem fala ou escreve sugerir conteúdos emotivos e intuitivos por meio das palavras. Além disso, estabelece princípios capazes de explicar as escolhas particulares feitas por indivíduos e grupos sociais no que se refere ao uso da língua."

No decorrer da minha pesquisa sobre Estilística encontrei várias definições para este termo, sendo que esta foi a que me pareceu mais completa e elucidativa.

Qualquer leitor de jornais e revistas se depara no seu quotidiano com inúmeras crónicas dos mais diversos autores e acerca dos mais diversos temas. Estes autores ou cronistas adoptam geralmente um estilo (formal, coloquial, humorístico, ...) ao qual à partida permanecerão fiéis. Para transmitirem com mais ênfase as suas opiniões recorrem frequentemente a figuras de estilo que conferem ao texto o cunho pessoal do autor.

A par com a Estilistica, é de salientar a importância da função da linguagem (referencial, denotativa, emotiva, conotativa, poética, fática, metalinguística...) como base sobre a qual assenta o conteúdo linguístico e como veículo que permite transmitir aos leitores as escolhas particulares feitas no que se refere ao uso da lingua, tal como nos diz a definição acima transcrita.

Ligado muitas vezes à estilística está o conceito de jargão: este designa a linguagem ou conjunto de termos específicos utilizados por um determinado grupo, geralmente profissional ou ligado a uma área técnico-científica.

É imediato, pois, verificar os pontos em comum entre a estilística e o jargão: ambos transmitem a ideia de "várias linguagens" dentro da mesma língua, neste caso a lingua Portuguesa. Enquanto que o jargão está mais relacionado com grupos profissionais que adoptam um conjunto de termos específicos, a estilística prende-se com o tipo de linguagem utilizado por determinados grupos sociais ou em determinados estilos literários.

No TAC relativo a Estilística e Jargão foi sugerido aos alunos que simplificassem e clarificassem o significado de três frases provenientes fontes distintas.


O MEU TAC DE ESTILÍSTICA E JARGÃO

1. “O credor reserva-se a faculdade, de a todo o tempo e independentemente de qualquer regime especial aplicável, capitalizar juros remuneratórios correspondentes a um período não inferior a três meses (…)” (Banco)

Texto simplificado: O credor, que é a pessoa ou entidade que emprestou dinheiro a outra pessoa ou entidade, tem direito de receber juros correspondentes a um período de três meses ou mais, independentemente do regime de crédito aplicado.


2. “Os resíduos, que nunca deverão ser líquidos ou liquefeitos, devem ser colocados no contentor em boas condições de estanquicidade.” (Câmara Municipal)

Texto simplificado: Os resíduos a colocar no contentor não podem ser líquidos ou potencialmente transformáveis em líquido, e devem ser ser bem vedados e isolados de modo a que não haja qualquer fuga de resíduo.


3. “Estimado(a) cliente: Informamos que o contador colocado nesse local necessita de ser substituído por Manutenção Preventiva (Regulamento de Controlo Metereológico).” (Companhia de Fornecimento de Água)

Texto simplificado: A companhia de fornecimento de água pretende comunicar aos utentes que o contador da água tem que ser substituído por outro, por questões de manutenção preventiva do equipamento do local.


COMENTÁRIOS

Este trabalho não tinha um elevado grau de dificuldade, nem exigiu da parte dos alunos um trabalho exaustivo de pesquisa adicional.
No entanto, serviu para dar aos alunos uma noção da adequação dos estilos linguísticos às diversas situações do quotidiano: uma carta escrita por um cidadão ao seu advogado, por exemplo, nunca deverá ser escrita em linguagem corrente, coloquial, mas sim numa linguagem formal; a linguagem utilizada por uma mãe para com o seu filho não será a mesma que esta utiliza quando fala com o seu chefe no trabalho. Isto apenas para ilustrar a importância da adaptação da linguagem à função que se pretende que esta desempenhe e acima de tudo ao interlocutor.

Para finalizar esta entrada sobre estilística e jargão, e um pouco a propósito da crónica de Pedro Mexia lida pelos alunos no workshop de PMI, deixo aqui a crónica desta semana para a revista Visão de um dos meus humoristas de eleição em portugal, Ricardo Araújo Pereira. O seu estilo sarcástico é quase inconfundível, e algumas das suas observações chegam por vezes a ser brilhantes.

"Ser português não é bem uma condição, é uma habilidade circense. E das difíceis. O trapezista, no circo, balouça-se de cabeça para baixo e grita "Agora sem mãos!", o que não deixa de ser admirável, mas ser português também é um número arriscado: "Agora sem emprego!", gritam uns. "Agora sem saúde!", gritam outros, depois do fecho das urgências. "Agora sem dinheiro!", gritam quase todos desde que o Governo começou a tomar as chamadas medidas de austeridade. Primeiro, com o PEC, foi preciso apertar o cinto. Neste momento, com os novos aumentos de impostos, parece ser tempo de Portugal apertar o cordel. Os mendigos não usam cinto. Passam uma guita pelas presilhas e dão um nó à frente. Creio que o que estamos a apertar agora é essa guita - ironicamente, por falta de guita.

Apesar de tudo, a notícia de que o Governo iria aumentar os impostos sobre o rendimento deveria ter agradado aos portugueses: muitos deles não sabiam que ainda tinham rendimentos para taxar. Poderia ter sido uma agradável surpresa. Infelizmente, o povo português é difícil de contentar. Há uns anos, a palavra de ordem era "Basta de salários de miséria!" Agora é "Deixem os nossos salários de miséria como estão!" Ora não querem salários de miséria, ora recusam que se lhes mexa neles. Vá lá uma pessoa compreender este povo.

"Que fazer, amigo leitor? De que modo podemos salvar o País da falência? Sobre isso, tenho a mesma opinião que o ministro das Finanças: não faço a mínima ideia. Mas tenho uma sugestão que gostaria de apresentar. O País não está bem, isso é certo. Com mais de 800 anos, também já não vai para novo. E há mais de 500 que não consegue fazer nada especialmente digno de nota. Enquanto país uno e indivisível, não parece ter grande futuro. Mas, que diabo, não haverá ninguém que queira isto para peças? Como se faz com a sucata: a unidade funciona mal, mas há duas ou três fracções que ainda podem ter serventia - e valer dinheiro. Tendo em conta o papel proeminente que alguns sucateiros têm na nossa sociedade, não poderíamos aproveitar a sua sabedoria no que toca a desmembrar coisas para as rentabilizar? Os espanhóis hão-de estar interessados no Minho e em Trás-os-Montes. Os holandeses, ao que parece, gostam muito do Alentejo. No fundo, não seria muito diferente do que fizemos com o Algarve e os ingleses. É só uma ideia. E talvez seja absurda, admito. Pelo menos, não tem aquela qualidade que costuma caracterizar as medidas que realmente salvaguardam o interesse e o futuro do País: não vai ao bolso dos contribuintes."

Ricardo Araújo Pereira in Visão (27 de Maio de 2010)


E, por fim, para quem gosta de ler uma boa crónica e for fã de Clara Ferreira Alves, sugiro a compilação das suas crónicas semanais no jornal Expresso, editada pela Dom Quixote: A Pluma Caprichosa - Crónicas de Clara Ferreira Alves.

http://www.alfarrabista.com/EDICAO/1036027/

TRABALHO DE MEIO DO SEMESTRE (TMS)


Uma das tarefas propostas aos alunos de PMI no decurso do semestre foi a realização de uma pequena tese direccionada para um de três temas à escolha: Ética, Macroeconomia ou Comportamento Organizacional.

O tema por mim escolhido foi Ética por uma razão simples: a disciplina de Macroeconomia já tinha sido feita no 1º semestre, e Comportamento Organizacional só terei no próximo ano.
Restou, por isso, a Ética, disciplina que estou a frequentar este semestre.
Foi-nos dado um pequeno excerto, abaixo transcrito, sobre a temática da ética aristotélica, excerto esse a partir do qual deveríamos desenvolver uma pequena tese.


"(...)toda a arte e toda a investigação, toda a acção e toda a escolha parecem tender a algum bem." - excerto retirado da obra de Aristóteles, Ética a Nicómano.

Apresento de seguida o meu trabalho.

O MEU TMS - ÉTICA

Aristóteles nasceu na Macedónia no ano 384 a.C. e foi discípulo de Platão. É considerado um dos maiores filósofos de todos os tempos e da sua vasta obra destaca-se a Ética a Nicómano, de onde é extraído o excerto que serve de base a este trabalho.
Aristóteles interessou-se por áreas tão diversas como a ética, a biologia, a física, a música, poesia, a política, o teatro, entre outras.
No âmbito da ética, Aristóteles desenvolveu o seu pensamento em redor da acção humana, defendendo que o homem deve agir em concordância com a sua natureza (corpo e alma), vendo as circunstâncias que o rodeiam como uma plataforma para atingir a felicidade, e não como um obstáculo.
Para Aristóteles, a felicidade (ou bem humano) é o objectivo último do ser humano, sendo alcançada através da virtude; esta virtude não é qualidade mas sim acção, hábito, costume. É através da prática das boas acções que o ser humano traça o seu caminho rumo à felicidade – esta não é um estado de espírito, mas sim uma forma de vida que só se adquire com a prática da virtude ao longo do tempo.
Aristóteles dividiu as virtudes em dois tipos: as morais (adquiridas por força do hábito) – como a justiça, que equilibra a “balança” e faz com que a virtude se situe precisamente no justo meio de dois vícios extremos, um por defeito e outro por excesso – e as intelectuais (adquiridas através do ensino/educação) – e que incluem o conhecimento científico, a arte, a sabedoria prática, a razão intuitiva e a sabedoria teorética.
A virtude desenvolve no ser humano uma sabedoria prática que o torna “mestre” na sua busca da felicidade. Por essa razão a sabedoria é considerada a virtude das virtudes, aquela que permite ao homem, em conjugação com a vida material (pois a felicidade do ser humano não assenta apenas nos bens da alma), alcançar uma vida plena, a vida feliz do ideal aristotélico – o bem humano.
Aristóteles define as virtudes como transformadoras, sendo como que uma força de carácter impulsionadora que ajuda ao desenvolvimento do ser humano na sua relação com ele próprio e com os outros, não só na sua vida e nas suas acções e escolhas quotidianas, mas também na arte, na ciência e em muitas outras áreas do conhecimento.
Fica deste modo bem patente a visão aristotélica sobre o papel das virtudes como plataforma e veículo para atingir o fim último da vida humana – a felicidade; a felicidade como caminho, como modo de vida e não como estado de espírito – a felicidade que transcende o imediato e se prolonga no tempo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• Aristóteles, Ética a Nicómano, Org: J. Marias, M. Araújo, Centro de Estúdios Constitucionales, 1985. I, 1094ª.

• Stanford Encyclopedia of Philosophy:
http://plato.stanford.edu/search/searcher.py?query=aristotle

• Internet Encyclopedia of Philosophy:
http://www.iep.utm.edu/

quarta-feira, 5 de Maio de 2010

Retórica e Metáfora


A retórica define-se como a arte de discursar, de ser elequoente, de saber persuadir o público.
Na Grécia antiga, a retórica englobava não só a arte de bem falar - elequoência - mas também a arte de discursar e das técnicas de argumentação.
Por seu lado, a metáfora é uma figura de estilo que estabelece uma comparação entre dois termos, sem o uso de um elemento conector.
Aristóteles foi o primeiro a abordar o tema da metáfora, identificando-a como o termo genérico que abarca todas as figuras retóricas em geral. Por conseguinte, ao falar de metáfora, refere-se simultaneamente, e em sentido lato, a toda a actividade retórica, sendo a metáfora o elemento essencial de embelezamento do discurso.

Na aula de PMI foi sugerida aos alunos a leitura de um texto retirado do livro "Discourse, Epistemology and Organization: A Discursive Footnote" dos autores Tom Keenoy, Cliff Oswick e David Grant.
Neste excerto os autores sugerem a Máfia como uma metáfora para a Sicília (ilha onde surgiu a máfia) e por sua vez esta como uma metáfora para Itália e por fim esta como uma metáfora para qualquer Organização contemporânea.
Este testo sublinha também a importância do discurso e da palavra dada na máfia enquanto Organização possuidora de um conjunto de protocolos bem estabelecidos.
A elequência do discurso e o poder de persuasão são elementos essencias para a validade dos contractos verbais característicos deste tipo de Organização que vive à sombra da Lei.


O MEU TAC SOBRE RETÓRICA E METÁFORA

SUMÁRIO
Este trabalho tem como principal objectivo o desenvolvimento da capacidade escrita, nomeadamente no âmbito do texto argumentativo, e a sua integração com os conhecimentos adquiridos nas aulas de PMI sobre crítica de imagem na construção de um símbolo como veículo transmissor de uma ideia ou de um conjunto de ideias.
A partir do texto em análise, “Discourse, Epistemology and Organization: A Discursive Footnote” apresentado nas aulas, será elaborada uma listagem das principais características da Máfia como organização, e apresentado um símbolo que a represente, e que esteja de algum modo ligado a essas características.

1. LISTAR AS CARACTERÍSTICAS DA MÁFIA

A máfia, vista como uma organização, caracteriza-se pela existência de uma hierarquia definida, ainda que algo obscura e mutável no tempo, sendo que o poder é distribuído de acordo com a posição na hierarquia.
O dom da palavra é também de extrema importância pois não há contractos legais em papel, apenas acordos verbais, pelo que os membros têm que primar pela honestidade de modo a manterem a sua honra e o seu lugar na organização.
Vários outros aspectos são enumerados no texto: as alcunhas dadas a cada membro, os protocolos bem definidos, como é o do beijo como modo de cumprimento entre os homens da família mafiosa, as mulheres vestidas de preto, o respeito e obediência prestados aos elementos mais altos da hierarquia, entre outros.
A religião está também sempre presente no seio da máfia. O respeito pelos costumes religiosos e pelos princípios da igreja Católica é muitas vezes evidente; por outro lado, a corrupção e a morte fazem parte da actividade desta organização como meios para atingir os fins, pelo que a religiosidade presente poderá ser vista como um meio de redenção perante as atrocidades cometidas.



2. IMAGINAR E APRESENTAR UM SÍMBOLO PARA A MÁFIA

Camaleão


3. ESCLARECER, DETALHADAMENTE, A ESCOLHA DO SÍMBOLO, EXPLICITANDO A OPÇÃO.
O símbolo escolhido, o camaleão representa a capacidade que a máfia tem em camuflar-se sob várias formas, tentando passar despercebida na sociedade e actuando em diversos quadrantes da sociedade de uma forma discreta e dissimulada.
Devido à sua capacidade de se camuflar por detrás de várias “capas”, a máfia, tal como o camaleão, tem assim mais possibilidades de passar despercebida perante o “inimigo”, escapando deste modo ilesa nas suas acções. Tal como nos diz o texto “it is a powerfully structured way of life of extraordinary durability with a capacity to reinvent itself in response to changes in ‘the market’”.
A figura do camaleão transmite-nos, deste modo, a capacidade de adaptação da máfia às circunstâncias e ao ambiente (social, económico, político, jurídico, etc…) que a rodeiam.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

• Keenoy, Tom; Oswick, Cliff & Grant, David 2000. Discourse, Epistemology and Organization: A Discursive Footnote. King’s College, University of London (UK) and University of Sydney (Australia), Sage Publications: 542-544.

• Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Mafia


COMENTÁRIOS ACERCA DO TRABALHO

Segundo os comentários feitos pela Prof. Dra. Eva Dias de Oliveira acerca do meu trabalho, a ideia do camaleão como simbolo representativo da máfia é uma ideia plausível e apropriada, no entanto a minha análise carece de alguma profundidade e foi pouco trabalhada.
Confesso, no entanto, que teria que ter pesquisado bastante mais acerca da máfia para poder fundamentar melhor a minha escolha e a minha análise acerca do simbolismo que o camaleão pode ter nesta matéria.

quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Plano Semestral de trabalho - Semanas 6 a 11

Tendo em conta que o PST só foi realizado e entregue na 6ª semana de aulas do 2º semestre, o balanço até à data (11ª semana lectiva) só irá abranger estas cinco semanas.

A minha principal dificuldade durante este tempo não foi a execução do plano em si, nem o planeamento das actividades, nem tão pouco o factor tempo, mas somente a motivação para o levar a cabo e por em prática.
Foram raros os dias em que consegui levar a cabo as tarefas que me propus, e em que ocupei o número de horas estimado com as mesmas (acabei quase sempre por ocupar mais tempo, roubando por isso, tempo necessário à realização das outras tarefas, ou menos tempo, compromentendo a qualidade e quantidade do meu estudo).

Ao longo das últimas semanas apercebi-me de como desperdicei tempo, e de como esse tempo me teria sido útil para concretizar as minhas tarefas mais eficaz e eficientemente.
Por essa razão, nas últimas duas semanas esforcei-me por cumprir o melhor possível as tarefas previstas no plano. Nem sempre o consegui, mas globalmente o saldo foi positivo. Por vezes apercebi-me de que me era mais conveniente estudar uma determinada disciplina num outro dia, pelo que diversas vezes efectuei trocas, sem no entanto ter alterado os tempos de estudo/realização de trabalhos.

Apercebi-me também da importância do desporto, como actividade extremamente para aumentar os meus níveis de vitalidade e motivação no meu dia-a-dia. Ao sentir-me mais activa, senti-me também mais motivada para levar a cabo as minhas tarefas curriculares, e isso reflectiu-se essencialmente nas duas últimas semanas, em que procurei ser mais assídua nas minhas actividades extra-curriculares.

No que diz respeito à disciplina de PMI mais concretamente, o decréscimo de motivação que tinha vindo a sentir nas últimas semanas deu lugar a um sentimento de descontentamento comigo própria quando me apercebi de como posso conseguir melhores resultados se elevar os meus níveis de esforço e dedicação, algo que tinha vindo a decrescer.
Percebi também, e isto é apenas a título de comentário, como é importante uma noite de sono reparadora, de não menos de 7 horas, para restabelecer os níveis de energia e concentração. Nos últimos tempos tenho vindo a adquirir o mau hábito de me deitar tarde, dormindo menos, o que tem comprometido seriamente a minha concentração durante o dia, e a minha motivação para desempenhar as tarefas mais básicas.

A gestão do tempo nem sempre é fácil, encontrar a motivação necessária para fazermos coisas de que gostamos menos também não o é. O segredo estará possívelmente numa tentativa progressiva de aquisição de hábitos elementares, e nas tarefas mais quotidianas e pessoais, de modo a que esse processo de aquisição de hábitos seja depois mais facilmente transposto para as restantes tarefas, nomeadamente as académicas.
É nesta fase que me encontro de momento: numa fase de adaptação e de aquisição de auto-disciplina nas mais diversas actividades do meu dia-a-dia, de modo a que essa disciplina se reflicta também, e sem que eu sinta tantas dificuldades, nas minhas tarefas curriculares.

PLANO SEMESTRAL DE TRABALHO - Introdução


Um dos objectivos principais da disciplina de PMI é promover junto dos alunos a importância da gestão do tempo no seu dia-a-dia, o planeamento prévio das suas tarefas diárias. Estes aspectos são fundamentais no sucesso de qualquer profissão, nomeadamente na Gestão.
Os alunos de PMI, como futuros gestores/economistas, devem estar conscientes da importância do planeamento das suas tarefas diárias como chave primordial para um bom aproveitamento do tempo que, por sua vez, lhes permitirá completarem todas as actividades a que se propôem ao longo da sua vida académica e profissional.
Este "exercício" nem sempre é fácil, na medida em que nem toda a gente tem uma predisposição natural para optimizar o seu tempo e organizar convenientemente as suas actividades; é necessário criar hábitos, disciplina, sistematizar esses hábitos mas por outro lado estar sempre receptivo a adaptá-los às circunstâncias do quotidiano, muitas vezes imprevistas.
O Plano Semestral de Trabalho apresenta-se, por isso, como uma ferramenta auxiliar nas actividades curriculares dos alunos de PMI, devendo ser acompanhado periodicamente por uma reflexão por parte dos mesmos. Esta reflexão deve incidir sobre vários pontos:
- estou ou não a cumprir todas as tarefas a que me destinei, ou apenas parte delas?
- o plano adequa-se, na prática, aos objectivos a que me propus ou é uma mera "utopia"? Por outras palavras, é o plano exequível?
- o número de horas previsto na realização de determinada tarefa ou gastas no estudo de determinada disciplina corresponde ao número de horas efectivamente gastas nessa tarefa?
- de que modo posso tornal este plano útil para a minha vida académica/profissional daqui em diante?

Haverá, concerteza, muitos outros aspectos que podem ser relevantes no âmbito deste plano, mas estes são os essenciais.

Outro aspecto a referir, é o das actividades extra-curriculares: os momentos de descontracção e lazer são indispensáveis no sucesso académico, pessoal ou profissional de qualquer indivíduo, pelo que é relevante que estes momentos sejam também incluidos pelos alunos nos seus planos.


O MEU PLANO SEMESTRAL DE TRABALHO

Quando iniciei a elaboração do meu PST no Excel resolvi, quase de imediato, dividi-lo por semanas, atribuindo cores a cada um dos tipos de actividades (por exemplo, verde para a disciplina de Direito Empresarial, rosa para PMI, vermelho para os testes, laranja para actividades extra-curriculares, etc) de modo a facilitar a leitura do mesmo.

Cada uma das folhas de excel, à qual corresponde uma semana lectiva, tem o aspecto da imagem. Todas as restantes semanas apresentam uma estrutura semelhante.

segunda-feira, 19 de Abril de 2010

Sobre a escrita


No nosso quotidiano fazemos, muitas das vezes sem nos darmos conta, um mau uso da linguagem falada ou escrita. Adquirimos vícios linguísticos que, frequentemente, comprometem a clareza e o significado da mensagem que pretendemos transmitir aos nossos interlocutores.
Foi sobre esta temática que incidiu a aula de PMI do passado dia 2 de Março.
A importância da palavra certa foi um dos aspectos ao qual foi dado mais ênfase: é sem dúvida um ponto fundamental para a eficácia na comunicação. Existem várias formas de transmitir a mesma ideia, mas a dificuldade não está apenas em escolher as palavras certas e que soam melhor, está também em conjugá-las de forma a criar uma mensagem clara e inequívoca.
Um aspecto muito importante na concepção de um texto, especialmente no texto argumentativo, são os elementos estruturantes designados por Ethos, Logos e Pathos.

O ethos prende-se com o carácter, com a sua capacidade para transmitir correctamente a mensagem.

O logos está relacionado com a coerência do discurso, com o poder de argumentação do autor e a sua capacidade de compor um discurso articulado e com lógica.

Por fim, o pathos define-se pelo caminho que o comunicador escolhe para transmitir a sua ideia e a quem se dirige.

A presença destes três elementos estruturantes é fundamental para o sucesso da comunicação.

Neste âmbito, foi proposta aos alunos de PMI a leitura do texto de George Orwell, "Politics and the English Language", escrito pelo jornalista e autor britânico em 1940.
Abaixo transcrevo o resumo por mim realizado no âmbito da leitura deste texto de Orwell:

"RESUMO DO TEXTO DE GEORGE ORWELL "POLITICS AND THE ENGLISH LANGUAGE (1940)

George Orwell foi um famoso jornalista e escritor que viveu na primeira metade do século XX. Da sua vasta obra, destacam-se os livros “1984” e “O Triunfo dos Porcos”.
Neste texto George Orwell expõe-nos as suas perspectivas no que diz respeito ao uso da língua Inglesa contemporânea.
Segundo o autor, o estado de decadência do Inglês falado e escrito tem vindo a acompanhar uma decadência civilizacional, nomeadamente ao nível dos quadrantes político e económico; Orwell acredita que essa tendência pode ser travada se for feito um exercício de reflexão sobre a relação causa-efeito entre essa degeneração civilizacional e o uso inadequado da língua Inglesa.
É em tudo relevante referir que Orwell identifica nesta relação uma inversão de papéis na qual a causa (decadência civilizacional) pode ser também efeito, se visto da perspectiva oposta. Com isto o autor pretende afirmar que, quando usada correctamente, a língua Inglesa permite a um indivíduo raciocinar mais claramente, e ao fazê-lo estará a caminhar no sentido da regeneração civilizacional. Pode, por outro lado, ser a decadência civilizacional a originar o conjunto de ideias deturpadas e mal transmitidas que muitos dos escritores contemporâneos apresentam.
A título de exemplo, Orwell enumera os vícios linguísticos mais frequentemente encontrados no Inglês escrito. Apresenta-nos, desse modo, cinco textos dos mais diversos géneros literários que na sua opinião são exemplos flagrantes do uso incorrecto das ferramentas linguísticas de que um comunicador dispõe.
Primeiramente, Owell refere as metáforas mortas como sendo aquelas que se tornam desprovidas de sentido quando usadas repetidamente ao longo do tempo ao ponto de serem distorcidas gramaticalmente e no seu significado.
Outro vício comum, segundo o autor, é a utilização de operadores e de verbos compostos no lugar dos verbos simples, poupando ao comunicador o trabalho de escolher as palavras apropriadas.
O vocabulário pretensioso é outro dos erros comuns apontados por G. Orwell: o uso de linguagem rebuscada dá ao receptor a falsa ideia de que o conteúdo da mensagem é de elevado teor científico, cultural e objectivo. Este tipo de vocabulário é comummente utilizado nos discursos políticos e o comunicador recorre muitas vezes ao uso de estrangeirismos.
Por último, G. Orwell faz referência ao que designa de palavras vagas. Este alerta-nos, nomeadamente em críticas literárias ou de arte, para uma total ausência de significado em determinadas passagens que advém do uso de termos abstractos; outro aspecto negativo do uso de vocabulário vago é o facto de o autor ter a sua definição pessoal de um determinado termo, transmitindo ao receptor uma ideia enganosa, na medida em que este possivelmente terá uma definição que difere da do autor.
Com esta exposição, G. Orwell pertende por isso alertar para a importância da clareza e precisão no Inglês falado e escrito, sem que a criatividade seja descurada, como aspectos fundamentais de uma comunicação eficaz."

Com este resumo, torna-se evidente a importância que George Orwell atribui ao correcto uso da linguagem como veículo fundamental para a regeneração civilizacional.

Todos os dias - nos meios de comunicação - somos confrontados com exemplos de textos de conteúdo pobre e incompleto, cujas mensagens são deturpadas através do uso incorrecto dos diversos elementos gramaticais e de sintaxe.
São os bons exemplos que devem ser seguidos e promovidos, para que aos poucos, e como George Orwell afirmava, possa dar-se aos poucos a regeneração de valores e princípios que devem reger qualquer civilização.

sexta-feira, 5 de Março de 2010

Aula sobre crítica de imagem


Na lecture de PMI do dia 23 de Fevereiro, leccionada pelo Dr. Adriano Nazareth, foi feita uma abordagem à temática da fotografia sob a perspectiva da análise e crítica da imagem, e dos vários aspectos através dos quais esta nos pode transmitir a sua mensagem.
Toda a imagem pretende transmitir uma mensagem ou ideia, que podem estar mais ou menos implícita.
No decorrer da aula, o Dr. Adriano Nazareth apresentou aos alunos várias fotografias de três diferentes vertentes: instantâneas, artísticas e de investigação. Em cada uma delas, podiam identificar-se elementos predominantes que as caracterizavam e que ajudavam a transmitir a mensagem. Esses elementos vão desde os aspectos técnicos (como a cor, luminosidade, contraste, enquadramento...) aos aspectos artísticos relacionados com a interpretação subjectiva da imagem.
Um dos objectivos principais da aula foi dar aos alunos uma noção básica dos tópicos a ter em conta na análise e crítica de imagem. São eles:

1) Quem comunica?
2) Qual a mensagem?
3) Como? (qual a abordagem seguida/meios utilizados?)
4) Para quem? (público a que se destina)

Neste âmbito, foi proposto aos alunos que, no seguimento desta lecture, escolhessem uma imagem de entre um grupo de várias sugeridas e a analisassem à luz dos quatro tópicos acima mencionados.
Um aspecto importante desta análise, e de qualquer texto argumentativo, prende-se com as três dimensões da narrativa: o "logos" (lógica), o "ethos" (credibilidade) e o "pathos" (empatia; capacidade de persuasão). Os alunos foram alertados para a importância destas três dimensões para a coerência e coesão dos seus argumentos aquando da sua análise.


A MINHA CRÍTICA DE IMAGEM

De entre as imagens sugeridas para análise, a minha escolha recaiu sobre uma imagem de um anúncio publicitário dos cereais All Bran, da Kellog's.
De seguida, apresento a crítica de imagem por mim elaborada:


Nesta imagem está representado um anúncio de publicidade à gama de cereais All-Bran, da marca Kellog’s.
A Kellog’s é um multinacional fundada nos EUA em 1906 pelo empresário Will Keith Kellog juntamente com o seu irmão, John Harvey Kellog, e é actualmente uma das marcas de cereais e de produtos alimentícios derivados de cereais mais vendidas do mundo (rigor?).
Com esta imagem publicitária, a Kellog´s pretende incentivar os consumidores à compra de cereais All-Bran, utilizando para tal uma analogia bastante elucidativa: a de que a ingestão de uma taça de cereais All-Bran contém a quantidade de fibra equivalente à ingestão de dez fatias de pão integral. O propósito do consumo de cereais All-Bran – a ingestão de fibra - está, deste modo, bem patente na imagem.
Os elementos de imagem são simples e eficazes: as fatias de pão sobrepostas ao lado da embalagem de cereais transmitem eficazmente a mensagem ao consumidor menos informado; a razão da imagem ser a preto e branco prender-se-á possivelmente com facto de ser uma publicidade antiga, tendo em conta que a marca Kellog’s existe desde 1906. 1


Abaixo segue, a negrito, a avaliação feita pela Professora Eva Dias de Oliveira:


A mensagem foi compreendida, o texto refere as vantagens da ingestão das fibras sem explicar a razão. Pesquisa adicional ter-se-ia revelado útil para a fundamentação da mensagem. Não há referência a fontes bibliográficas. Explicitar o preto e branco da foto. O que pode fazer para melhorar?Nesta imagem está representado um anúncio de publicidade à gama de cereais All-Bran, da marca Kellog’s.
A Kellog’s é um multinacional fundada nos EUA em 1906 pelo empresário Will Keith Kellog juntamente com o seu irmão, John Harvey Kellog, e é actualmente uma das marcas de cereais e de produtos alimentícios derivados de cereais mais vendidas do mundo (rigor?).
Com esta imagem publicitária, a Kellog´s pretende incentivar os consumidores à compra de cereais All-Bran, utilizando para tal uma analogia bastante elucidativa: a de que a ingestão de uma taça de cereais All-Bran contém a quantidade de fibra equivalente à ingestão de dez fatias de pão integral. O propósito do consumo de cereais All-Bran – a ingestão de fibra - está, deste modo, bem patente na imagem. A ingestão de fibra é positiva? E para pessoas com problemas gastrointestinais? (ethos, pathos e o logos?)
Os elementos de imagem são simples e eficazes: as fatias de pão sobrepostas ao lado da embalagem de cereais transmitem eficazmente a mensagem ao consumidor menos informado; a razão da imagem ser a preto e branco prender-se-á possivelmente com facto de ser uma publicidade antiga, tendo em conta que a marca Kellog’s existe desde 1906. (Tem de verificar.)
Conteúdo: carga dramática; estética; composição
Forma: cor, técnica



Após uma comparação do texto original com o texto avaliado, são evidentes os aspectos que ficaram aquém daquilo que deveria estar patente no trabalho: a falta de pesquisa adicional que permitisse fundamentar as razões para a ingestão de fibra e como esta pode ser benéfica para organismo (importante seria também referir a existência de pessoas para as quais essa ingestão de fibras possa ser prejudicial e por essa razão, estas não estarão incluidas no público a que se destina este anúncio), e que suportasse os argumentos apresentados relativamente à mensagem que a marca pretende transmitir e aos aspectos técnicos da imagagem (forma, cor, técnica, e conteúdo).
Outro aspecto de grande relevância foi a ausência de referências bibliográficas, factor que terá sido em conta em posteriores trabalhos.















quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010

Uma breve introdução


O meu nome é Helena Sofia Teixeira Dias Couto Guedes e sou estudante do 1º/2º anos da licenciatura em Gestão na Universidade Católica do Porto.
Frequentei o 3º ano de Gestão e Engenharia Industrial na FEUP, e demorei algum tempo a perceber que estava no curso errado. No entanto, essa experiência proporcionou-me alguns ensinamentos não só técnicos e específicos da área mas também a nível das competências transversais - tais como a capacidade de comunicação oral e escrita, métodos de estudo, capacidade de trabalho em grupo, entre outros - que espero que me sejam úteis para o meu desempenho e sucesso académico na Católica.
Durante este semestre publicarei as minhas reflexões e expectativas em relação à disciplina de Projecto Multidisciplinar I, publicando e reflectindo sobre os trabalhos por mim realizados, bem como o meu Plano Semestral de Trabalhos e a evolução do meu desempenho nas várias disciplinas, tendo como ponto de referência esse mesmo plano de trabalhos das minhas actividades curriculares e extra-curriculares relevantes no âmbito de PMI.